sexta-feira, 4 de junho de 2010

A ORIGEM DA CAPOEIRA SEGUNDO AS OPINIÕES DOS MESTRES

Segundo Mestre Paulomolla, a capoeira surgiu nos Quilombos para sua própria defesa e forma de preparar os seus guerreiros para a luta contra os invasores, como tambem para as investidas nas fazendas para resgatar os negros que lá se encontravam ainda sub-julgados pelos seus feitôres. Quanto a forma de luta, teve influência a vários tipos de movimentos de danças africanas e dos nativos brasileiros, como a dança da zebra ou N'Golo de origem do povo “Mucope” do sul de Angola, que ocorria durante a “Efundula”(festa da puberdade), onde os adolescêntes formavam uma roda ; com uma dupla ao centro desferindo coices e cabeçadas um no outro, até que um era derrubado no solo, essa luta é oriunda das observações dos negros, dos machos das zebras nas disputas das fêmeas no periodo do cio, onde os machos lutam com mordidas, cabeçadas e coices. Com a “Revolta dos Malês”, na Bahia formada pelos negros Malês em 25 de fevereiro de 1835, que foi reprimida pelos portugueses, que castigaram mutilando os líderes, e enviando um navio para a àfrica e outro dos rebeldes para a América Central. Em Cuba e Martinica os Malês fundiram-se com os negros dos canaviais dando origem ao “Mani” em Cuba e a “Ladva” em Martinica.
O N'Golo levado pelos angolanos para o Quilombo de Palmares fundiu-se com o Maraná surgindo a Capoeira. Segundo cartas do jesuita Antônio Gonçalves para os seus superiores de Lisboa em 1735, descreve que quando missionário em Angola junto ao povo Mucope onde teve o privilégio de assistir uma dessas manifestações culturais, a “dança do N'Golo”, e que a mesma não tem nenhuma aparência com a Capoeira chamada Angola. Mas sim! Descreve que observou uma luta que os indios praticavam antes de qualquer conflito, em forma de roda, dois a dois usando os braços, pernas, cotoveladas, joelhadas, e usando todo o corpo como armas ( Convento de Santo Inácio de Loyola, anais das missões no Brasil. Tomo III pág. 128).
O escritor Holandês Gaspar Barleus descreve no livro “Rerum Per Octenium in Brasil-1647, a luta dos índios tupis praticada no litoral brasileiro” chamada de Maraná, luta de guerra, só existem dois exemplares, um no EUA e outro no Brasil.
O cronista alemão Johann Nieuhoff descreve em seu livro “Crônicas do Brasil Holandês” de 1670 a luta do Maraná assim como será descrito à seguir.



Maraná


As cartas do escrivão Francis Patris, que acompanhava o cortejo do príncipe Mauricio de Nassau durante a invasão Holandesa, descreve entre muitos obstáculos para ocupação do território brasileiro a resistência dos habitantes do Brasil.
Negros comandados por Henrique Dias, portugueses por Vidal de Negreiros, Índios Potiguares comandados por Felipe Camarão, o “Índio Poti”. Esses índios usavam durante o confronto, além de flechas, bordunas, lanças e tacapes, os pés e as mãos desferindo golpes mortais, destacando-se por sua valentia e ferocidade. Pertencia a cultura potiguara a dança e guerra Maraná, que avaliava o nível de valentia de seus guerreiros. Em círculos os guerreiros com perneiras de conchas compunham um compasso ao bater com os pés e as mãos, invocando seus antepassados, acompanhado das batidas dos atabaques feitos de troncos de árvores com pele de Anta, chocalhos e marimbas, em quanto que dois gerreiros se confrontavam ao centro da roda com golpes de pernas, cotoveladas e movimentos que imitavam os animais.

Um comentário:

  1. Rabo de arraia, queixada, meia lua de compasso, rasteira, armada e aú. Tudo isso está presente no N'golo, é presciso ser cego pra não ver!
    http://www.youtube.com/watch?v=zlqnRIMAtTc

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